| Reino: | Animalia |
| Filo: | Chordata |
| Classe: | Aves |
| Ordem: | Passeriformes |
| Subordem: | Passeri |
| Parvordem: | Passerida |
| Família: | Thraupidae |
| Cabanis, 1847 | |
| Subfamília: | Nemosiinae |
| Bonaparte, 1854 | |
| Espécie: | N. rourei |
A saíra-apunhalada é uma ave passeriforme da família Thraupidae. Está ameaçada de extinção. Categoria de ameaça: criticamente em perigo.
Por mais de cem anos, permaneceu conhecida por um único exemplar, capturado em 1870, por Jean de Roure (Pacheco, 1998). Só era conhecida por raríssimos avistamentos, como oito aves observadas em 1941 em Itarana (Espírito Santo), até ser registrada em 1998 nas florestas da fazenda Pindoba IV, em Conceição do Castelo, também nesse Estado. Em 2003, outros exemplares foram encontrados no município de Vargem Alta e mais recentemente, novos registros foram realizados. Trata-se de uma ave extremamente rara, com referência nas mais importantes listas de aves ameaçadas do mundo.
O nome “saíra-apunhalada” faz referência à mancha vermelha nas proximidades da garganta da espécie, que, em contraste com o peito branco, lembra uma mancha de sangue, como se o animal tivesse sido “apunhalado” no peito por algum objeto perfurante.
Seu nome científico significa: do (grego) nemos = clareira, pastagem, pasto; e rourei = homenagem ao explorador francês Jean Roure. ⇒ (Ave) de Roure (que vive na) clareira.
Mede entre 12,5 e 14 centímetros de comprimento e pesa cerca de 22 gramas. Não é conhecido dimorfismo sexual (Ridgely, 1989).
Apresenta na garganta e no peito uma grande mancha conspícua de coloração vermelho intenso. A testa é preta e não apresenta mancha loral branca (Ridgely, 1989). Partindo da testa preta, uma larga faixa preta se estende por sobre os olhos e termina logo após a região auricular. Sua coroa é cinza claro. A nuca, o manto e o uropígio são de coloração cinza puro. Asas e cauda de cor preta. O ventre, os flancos e o crisso, bem como as penas infracaudais são brancos.
O bico curto é escuro, quase preto, a íris é de coloração alaranjada e os tarsos e pés são rosados.
Habita florestas úmidas em altitudes de 850 a 1250 metros, principalmente em florestas com abundância de árvores altas, epífitas e palmeiras-juçara (Euterpe edulis). Já não é mais avistada facilmente. Seu habitat foi terrivelmente devastado em um passado recente por atividades exploratórias, como extração de rochas, derrubada de árvores, extração ilegal de palmito e expansão de áreas para formação de pastagens, plantio de eucalipto e lavouras de café. Atualmente, uma das grandes ameaças à sua sobrevivência é a falta de Unidades de Conservação de proteção integral nas áreas onde tem sido observada com mais frequência.
Endêmica do Brasil. Confirmado somente no Espírito Santo, porém com registros históricos no leste do Minas Gerais (o primeiro espécime coletado provém da região de Muriaé).
Consulta bibliográfica sobre subespécies: